Sejamos realistas. Quando a notícia de que Zach Wilson estava assinando um contrato de um ano com o New Orleans Saints se espalhou, o suspiro coletivo dos fãs da NFL foi quase audível. Esta não é exatamente a contratação bombástica que causa arrepios nas defesas da NFC South. Wilson, a segunda escolha geral no draft de 2021, chega a New Orleans após três temporadas tumultuadas com o New York Jets, onde registrou um rating de quarterback de carreira de 73,2 e completou apenas 57% de seus passes. Seu recorde de 11-21 como titular fala por si, incluindo uma campanha particularmente difícil em 2023, onde ele lançou para 2.271 jardas, oito touchdowns e sete interceptações em 12 jogos.
A questão é que os Saints estão em uma situação única. Derek Carr está consolidado como titular, e Taysom Hill continua sendo seu canivete suíço. O que Wilson traz para a mesa é... potencial? Uma mudança de cenário? Talvez uma chance de finalmente se livrar da imensa pressão que vem com ser uma escolha de draft alta em um circo midiático como Nova York. Sua melhor fase veio em novembro do ano passado, quando ele teve uma sequência de três jogos com um rating de 99,4, lançando cinco touchdowns e zero interceptações. Esse lampejo de competência é o que os Saints provavelmente estão se agarrando. Não se trata de Wilson ser titular, ainda não. Trata-se de profundidade e, talvez, apenas talvez, encontrar um projeto de recuperação onde outros falharam.
New Orleans não tem sido exatamente um paraíso para quarterbacks reservas que buscam ressuscitar suas carreiras pós-Drew Brees. Desde a aposentadoria de Brees após a temporada de 2020, os Saints passaram por Jameis Winston, Andy Dalton e Jake Haener, nenhum dos quais se estabeleceu verdadeiramente como soluções de longo prazo ou mesmo reservas confiáveis. Carr, contratado por um acordo de quatro anos e US$ 150 milhões na última intertemporada, terminou 2023 com 3.878 jardas de passe e 25 touchdowns, mas a equipe ainda perdeu os playoffs com 9-8. A expectativa para Wilson deve ser significativamente atenuada. Ele não está vindo para desafiar Carr; ele está vindo para provar que pertence à liga. Suas 23 interceptações de carreira contra 23 touchdowns são um lembrete claro de suas lutas com a segurança da bola, uma estatística que não o fará querido pelo técnico Dennis Allen.
Falando sério: esta é uma jogada de baixo risco e potencialmente alta recompensa para os Saints. Eles cederam uma troca de escolhas de sétima rodada no draft de 2024 para adquiri-lo, essencialmente um bilhete de loteria. Se Wilson puder aprender com o coordenador ofensivo Klint Kubiak, aprimorar sua mecânica e amadurecer como profissional, ele *pode* se tornar um reserva útil. Mas isso é um grande "se". Sua confiança parecia abalada em Nova York, especialmente depois de ser substituído várias vezes, inclusive por Tim Boyle na Semana 11 da temporada de 2023. Não se trata apenas de habilidades físicas; trata-se do lado mental do jogo.
Olha, todo jogador merece uma segunda chance, especialmente um draftado tão alto. O talento de braço de Wilson nunca foi questionado. Os passes que ele pode fazer são genuinamente de elite. É todo o resto – a tomada de decisões, a presença no pocket, a precisão consistente – que o tem impedido. Em New Orleans, ele estará fora dos holofotes de Nova York, o que pode ser exatamente o que ele precisa. Ele não será esperado para carregar a franquia. Ele estará aprendendo atrás de um veterano como Carr e competindo com Haener, uma escolha de quarta rodada de 2023 que não teve ação na temporada regular no ano passado.
Minha opinião? Esta é uma jogada de desespero de uma diretoria dos Saints que reconhece que sua situação de quarterback reserva tem sido abaixo do ideal. Eles esperam que uma mudança de cenário e um mercado de mídia menos intenso possam desbloquear algo. Mas, em última análise, Zach Wilson não jogará um único snap significativo pelos Saints em 2024, e ele estará fora da liga em dois anos se não conseguir superar Jake Haener para a função de reserva principal.