Ange Postecoglou foi demitido do Nottingham Forest em 2017, e ele ainda fala sobre a rapidez com que tudo aconteceu. Dezoito minutos após uma derrota por 2-1 para o Burton Albion em 19 de setembro de 2017, ele estava fora. O Forest estava em 13º lugar na Championship na época, não exatamente na zona de rebaixamento, mas também não lutando pela promoção. Foi um fim brutal e rápido para um mandato que mal havia começado.
Olha, treinadores são demitidos. É a natureza da fera. Mas a história de Postecoglou destaca a pouca paciência que existe no futebol moderno, mesmo para um cara que acabara de ganhar a Grande Final da A-League com o Brisbane Roar. Ele havia assinado um contrato de três anos, era para ser um projeto de longo prazo. Em vez disso, foram 11 jogos, quatro vitórias, três empates e quatro derrotas. Não exatamente um desastre, mas também não brilhante. O comunicado do clube na época era padrão: "O clube deseja agradecer ao Sr. Postecoglou por seus esforços e deseja-lhe tudo de bom para o futuro." Todos nós já lemos isso cem vezes.
A Championship é um moedor de carne. Ela mastiga treinadores e os cospe com uma regularidade alarmante. O Forest, em particular, já passou por sua parte. Desde 2011, eles tiveram mais de 20 mudanças de treinador. Pense nisso por um segundo. Isso é mais rotatividade do que um restaurante ruim. Postecoglou seguiu Mark Warburton, que por sua vez só esteve lá por alguns meses. Antes de Warburton, foi Gary Brazil, e antes dele, Philippe Montanier. É um carrossel, e Ange apenas foi pego em um giro.
Seu último jogo, aquela derrota para o Burton, viu o Forest sofrer um gol aos 87 minutos. Você se pergunta se aquele gol tardio selou seu destino ali mesmo na linha lateral. O Forest havia realmente vencido o Sheffield United por 2-1 apenas alguns dias antes, um resultado decente contra um time que acabaria em segundo lugar naquela temporada. Mas o ímpeto não durou. A expectativa no Forest, apesar de seu status de "ioiô", sempre parece maior do que deveria ser. Eles são um clube com história, duas Copas Europeias, mas isso não garante estabilidade ou promoção automática.
Aqui está a questão: aquela experiência no Forest, por mais curta e intensa que tenha sido, claramente marcou Postecoglou. Ele passou a treinar a Austrália na Copa do Mundo de 2018, depois se mudou para o Yokohama F. Marinos, vencendo a J1 League em 2019. Depois veio o Celtic, onde conquistou dois títulos da Scottish Premiership e uma Scottish Cup. Agora ele está no Tottenham, e você pode ver como aquela demissão precoce no Forest moldou sua abordagem. Ele fala sobre construir uma cultura, sobre manter uma filosofia mesmo quando os resultados vacilam. Lembra quando o Spurs perdeu pontos contra o Chelsea e o Wolves no início desta temporada? A mídia estava em cima dele, mas ele não piscou. Ele continuou falando sobre o processo, sobre o longo prazo.
Aquela demissão "brutal" o ensinou que o barulho não importa tanto quanto a crença interna. No Tottenham, ele tem um orçamento muito maior e um elenco com mais qualidade do que aquele time do Forest de 2017. Mas a pressão é exponencialmente maior. Ele teve que lidar com lesões de jogadores-chave como James Maddison e Micky van de Ven, mas o Spurs ainda está em quinto lugar na Premier League em meados de abril. Ele está provando que seu estilo pode funcionar no mais alto nível, algo que aquele telefonema de 18 minutos pode tê-lo feito duvidar por um tempo.
Minha opinião? Aquela saída rápida do Forest foi a melhor coisa que aconteceu com Ange. Forçou-o a refinar seus métodos, a dobrar suas convicções e, em última análise, abriu o caminho para seu sucesso no Japão e na Escócia, tornando-o o treinador que ele é hoje no Spurs. Ele não seria tão resiliente, tão lúcido, sem aquele golpe no início da carreira. Prevejo que ele terá o Tottenham jogando a Liga dos Campeões novamente dentro de suas duas primeiras temporadas.