Olha, o Crystal Palace nas quartas de final de uma competição europeia ainda soa um pouco estranho, não soa? Oliver Glasner chamou de "grande feito" depois que os Eagles eliminaram o AEK Larnaca, e ele não está errado. O gol de Ismaïla Sarr na prorrogação na AEK Arena, no Chipre, após dois cartões vermelhos para o Larnaca, selou uma vitória por 1 a 0 e uma vaga contra a Fiorentina. É o mais longe que o Palace já chegou em uma competição da UEFA, superando sua campanha na Texaco Cup de 1970-71, onde perdeu para o Tottenham nas semifinais.
A questão é a seguinte: esta não é a Liga dos Campeões. É a Conference League. Mas para um clube que terminou em 10º lugar na Premier League na temporada passada com 49 pontos e um saldo de gols de -3, qualquer aventura europeia é algo para se comemorar. Eles enfrentaram Feyenoord e Sporting CP na fase de grupos, empatando em 2 a 2 em casa contra o time holandês e vencendo o Sporting por 2 a 1 em Lisboa. Isso é futebol de verdade, pressão de verdade, e Glasner tem lidado com isso de forma excelente. Desde que assumiu em fevereiro, sua equipe perdeu apenas duas vezes em 14 partidas em todas as competições, uma sequência que inclui cinco jogos invictos em março.
**O Obstáculo da Fiorentina e a Rotina da Premier League**
Agora vem a Fiorentina, um clube com pedigree europeu genuíno. Eles foram vice-campeões da Copa dos Campeões em 1957 e chegaram à final da Copa da UEFA em 1990. Nesta temporada, eles estão em 8º lugar na Serie A, tendo acabado de passar pelo Maccabi Haifa no placar agregado nas oitavas de final, graças a um gol tardio de Antonin Barák. O primeiro jogo contra o Palace está marcado para 11 de abril no Selhurst Park, seguido pelo jogo de volta em Florença uma semana depois. É um sorteio difícil, sem dúvida, mas o Palace mostrou que pode conseguir resultados. Seu recorde geral na Europa nesta temporada é de 7 vitórias, 3 empates e apenas 2 derrotas. Nada mal para um time que muitos especialistas previam que teria dificuldades na Europa.
Mas aqui está a minha opinião ousada: o Palace vencer esta competição seria uma surpresa maior do que o Leicester City vencer a Premier League em 2016. Sério. O Leicester tinha um elenco estabelecido, sem distrações europeias, e surfou em uma onda de impulso. O Palace ainda está se encontrando sob o comando de Glasner, com um elenco construído mais para a sobrevivência na Premier League do que para a glória europeia. Eles têm jogadores como Eberechi Eze e Michael Olise que podem produzir momentos de magia, mas a profundidade não é tão grande. Olise, por exemplo, jogou apenas 13 jogos da Premier League nesta temporada devido a lesão, mas marcou dois gols contra o Fulham em fevereiro. Manter esses jogadores-chave em forma para as tarefas domésticas e europeias será o maior desafio de Glasner. Eles estão atualmente em 14º lugar na liga, oito pontos acima da zona de rebaixamento, então não podem se dar ao luxo de tirar completamente o olho da bola.
A calma e a perspicácia tática do treinador foram contagiantes. Ele conseguiu incutir uma crença que talvez estivesse faltando em regimes anteriores. Vencer um Larnaca com nove jogadores parece fácil, mas ir ao Chipre e fazer o trabalho na prorrogação mostra garra. E garra é o que você precisa na Europa.
Minha previsão ousada? O Crystal Palace consegue uma surpresa, vence a Fiorentina nos pênaltis em Florença e chega às semifinais da Conference League.